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O dia em que perdi meu primeiro namorado

Ainda não eram os anos 2000. Eu dançava naquela sala calorenta. Tudo tão abafado que a porta ficava aberta e você me olhava do lado de fora....

29.11.16

366 dias

Ontem fez um ano que cê me confirmou que era, sim, o fim. Que eu te perguntei se a gente devia se separar e você topou. Nas outras vezes, foi diferente. Alguma coisa manteve a gente. Hoje eu sei o que foi. Cuidado.

Eu não achei que contaria o tempo assim. Que marcaria essa data. Eu não lembrava nem nosso aniversário de ficar juntos.Você comemorava essas pequenas coisas e eu adorava. Vai ver você cansou de lembrar. Dos meus esquecimentos.

Eu vi os dias passarem e sempre me impressionei com o tanto que eu não te esqueci. Eu encontrei tanta gente, conheci um punhado. Eu dancei, eu tive a cama só pra mim, dei graças a deus que não tinha você pra ver minhas bagunças, minha falta de jeito com a vida.

Eu chorei, fiquei dias deitada, dormi mesmo quando não tinha mais o que sonhar. Mas eu tive três sonhos com você e eles me tiraram de onde eu tava. Todas as vezes.

A banda que passa na esteira, Beatriz Ouvert, te amarei de novo quando você pagar sua dívida.

Recebi notícias de você pelos outros. Proibi todo mundo de me contar da sua vida, porque eu não saberia lidar. Mas os seus acontecimentos me chegavam como chega o ar. A gente nem percebe. Era uma porrada toda vez.

Nosso afilhado sempre perguntando do dindo. Você na cidade que nunca quis conhecer. Você bem. Você amando de novo. E eu vendo os dias passarem na certeza de que não seria amada, nem amaria. Na certeza de que é boa vida sem você. Mas era melhor com você.

Até que decidi que precisava ser sua amiga. E aí, pluft, eu consegui lidar com você não ser mais nada meu, exceto a pessoa que eu sempre amei.

17.11.16

Meus textos dos outros

Em tempos como esses, eu preciso me sentir amada de novo. Por mais falaciosa que seja essa ideia -- de que é possível amar e ser amada, num encaixe perfeito (que dizem que existe em algumas trepadas). A minha sorte é que eu tenho guardado quase tudo, como se vislumbrasse desde sempre que me faltaria a ficção do amor. A minha própria, porque das outras o mundo tá cheio. Eu tenho cartas, e-mails, bilhetes, pequenezas que fui acumulando e que me fazem entender por que é tão difícil abrir caixas de mudança. Trago algumas comigo há anos. Sobreviveram a um casamento inteiro e ainda estão intactas.

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[...] Porra.

Eu sinto falta do seu olhar. De olhar para você, não precisar dizer nada e sorrir por dentro. Tocar seu rosto, suas bochechas. Olhar para a sua boca, seu sorriso lindo, sentir aquele desejo, levar a mão à sua nuca e puxá-la para arrancar um beijo. O coração batendo forte enquanto nos chupamos, os seus cheiros e suspiros acelerados que se transformam em gemidos. Sua voz abafada, o seu cabelo sobre o meu braço, as minhas mãos percorrendo sua pele, as suas me apertando. Nossos corpos quentes encaixados, desajeitados no carro, confortáveis na cama. Os movimentos que nos desnudam, naquele momento em que nossas ações são levadas pelo tesão, quando você não agüenta mais esperar que eu faça as coisas -- é você que me pega com vontade, por baixo, e me puxa na direção da entrada. A penetração quente e molhada, o abraço que mistura luxúria e paixão, em ritmos variados. Eu sinto seu gosto, começo na boca, experimento o pescoço, demoro nos mamilos e mais ainda no clitóris; você fecha seus olhos e geme alto, minha língua saboreia até você puxar meus cabelos, fechar suas pernas bem apertadas e se contorcer do máximo prazer. Você me dá as costas, percebo sua excitação, aperto sua bunda, os movimentos continuam, você geme mais alto. Sua mão me aperta com vontade, sua boca me envolve, eu percebo como você faz cada vez melhor, quero que você vá até o fim, mas você não deixa. Seus lábios e sua língua brincam, uma das cenas mais sensuais, minhas respiração é rápida, solto gemidos enquanto minha mão empurra e puxa sua cabeça. Você pede para eu me masturbar porque gosta de ver, eu começo, e você assiste com olhos brilhando, sorriso maroto, o que só me estimula a ir até o fim e gozar -- seus olhos brilham mais ainda -- na sua boca -- mas só o primeiro jato, porque você fecha a boca e o resto da porra deixa seus seios melados. O sorriso não sai da sua boca, você já engoliu quando nos beijamos novamente.

Porra.

Das nossas conversas, das suas provocações ao meu ouvido, da sua mão sobre a minha calça. Do lenço de papel ali, da sua bota, seus pés, suas coxas, sua saia e aqueles vestidos que me incendeiam. De pegar na sua mão e andar até a bilheteria, comprar as entradas, sentir seu corpo, cheiro e sentimento enquanto vemos o filme abraçados. Ouvir suas resenhas verbais que falam tanto sobre o filme quanto sobre você. E colocar não apenas mais uma película na memória, mas um momento compartilhado. Dar-lhe um presente e ver seu sorriso sem graça. Entrar no McDonald's e ouvi-la a sugerir pedidos para mim, enquanto você já se decidiu pelo número um. Ou ir direto ao drive-thru para um milk-shake de chocolate com aqueles troços estranhos. Frog. Esfihas do Habib's, massa no Friccó, pastéis perto da Paulista, pizza na Bella Paulista, picanha no Gaúcho -- e nada de parmesão na polenta! Um "macarrão transparente" aqui em casa, uma H2O e um melão. E novela com meus pais. Constrangimento com "Borat". Alô distante ao Bob, carinho na Mimi, que lambe em retribuição. De regata, busco-a na casa da mãe do S., observam-me pela varanda. Tomo banho e danço ridiculamente. Você brinca com meu corpo e me morde. Busco-a no metrô Sumaré, aguardo meia hora até você entrar no carro com carinha de sinto muito e um Sonho de Valsa. No carro, na faculdade, lugares vários, conversas longas sobre o futuro, nós, família, a sua, a minha, indecisões, profissões, jornalismo, música, cinema. Piadas internas, provocações, risadas. "Who needs ... when haved E.?" [sic] "Vamos fazer arubaito!" Now I'm praying to God you'll give me one more chance girl, Whitesnake, Shakira, Wilco, Chico, Nelson Cavaquinho, Cartola, ops, Conversations with Other Women, High Fidelity, Eternal Sunshine... ops, não terminamos, 2046, Miranda July...

A Lot Like Love.

Porra.

Eu quero ligar pra você e convidá-la para ver um filme. Quero ir à locadora, ao supermercado -- adoro isso, me sinto muito "casal" -- e à sua casa. Cumprimentar sua mãe e mudar a região do drive de DVD do notebook cuja compra comentei. Dar sugestões de como você pode melhorar o uso do notebook. Ajudar a comprar um roteador wireless para que você possa usá-lo na casa inteira e configurá-lo para garantir uma maior segurança. Trazê-la em casa para jantar, conversar com minha mãe e assistir a um filme na TV nova. Pagar parte da Madame, dirigi-la e pegar carona sua. Mexer no seu som como você mexe no meu. Acompanhar sua evolução como motorista. E como jornalista, pessoa, mulher, amiga, namorada... Falar meus dilemas e ouvir os seus. Seu trabalho, seu futuro, sua dieta, sua família. Dar-lhe presentes como o livro da Miranda July e outras coisas fofas, assistir a shows como o do Móveis, ir a baladas como o Vegas, apresentações de dança, teatros e jogos de futebol -- mesmo que sejam da primeira divisão. Tocar a sua campainha e descermos até a Av. S. para correr. Colocar músicas no seu iPod. Xingar seu All Star novo. Rirmos juntos, abraçá-la, olhá-la. Procurar um lugar para morar, pequeno, mas aconchegante, e decorá-lo com simplicidade e estilo. Inaugurar o local com uma festinha para os amigos, discutir a playlist do evento. Dormir abraçados, acordar e vê-la adormecida ao meu lado, abrir a janela, a luz do Sol cegando seus olhos. Buscá-la no trabalho e voltarmos conversando sobre qualquer coisa. Ir ao Hopi Hari -- mas sem festejos gays --, ao Simba Safari, ao Zoológico -- com a F. e o D.. Sair com a C. e o F. Abraçados, olhar para a C., a A. e a H.: "Nós demos certo!" Viajar, descobrir lugares, mundos, sabores, cheiros, sentimentos, pessoas, conhecimento. Sonhar, pensar. Quero fazer tudo o que já fizemos e o que não fizemos. Quero tentar ser feliz. [...]

18.10.16

2003 - 2016

2003: ele disse qualquer coisa, eu respondi "anarquia". Eu: recepcionista. Ele: almoxarifado e baterista (que nem o meu pai).
2004 e 2005: hiato
2006, 2007, 2008 e 2009: dezenas ou centenas de e-mails (dele), a maior parte ignorada.
2016: Instagram, pendências resolvidas, três e-mails (meus) sem resposta. DR no WhatsApp, viagem para a praia. Quer ficar comigo? Quero. Você gosta de mim? Gosto. Se eu sei o que isso significa? Não, eu não sei. Eu: psicanalista e jornalista. Ele: empresário e baterista.
Sem data: eu apaixonada por ele apaixonado por mim. Eu namorando. Acontecendo tudo entre a gente. Ou melhor, nada. Selinho no ponto de ônibus. Suco no Sesc Consolação. Show da banda. Show do Ludov e ele me deu bolo. Sumi. Namorei, namorei, casei. Namorou, casou. 5 anos versus 2 meses. Ganhei, mas perdi igual. Love is a losing game.

15.9.16

Cilada, cilada, cilada

2016, o ano em que eu aprendi que nem o abraço mais gostoso do mundo garante alguma coisa.

8.9.16

Desaprendi

Uma coisa que eu não sei mais é saber quando gostam de mim. Se não flutuo num doce mar de recalque, lembro de uma certa clareza quanto a ser desejada. Pelo menos na minha última história de amor, que era segura e quentinha.

Eu jamais precisei me preocupar com o segundo encontro, me angustiar com incertezas. Ele estava ali, ele me queria, eu o queria, ele disse que me amava cedo, enquanto víamos "A Fita Branca". E eu nunca duvidei.

A vida com ele era melhor, as conversas, os finais de semana. Como trocar tudo isso por qualquer outra coisa? Não dava. Não deu (por cinco anos).

Agora, eu vivo momentos incríveis - com outras pessoas - e isso não significa nada. Corrijo. Isso significa algo. Mas não o que eu gostaria que fosse.

Tento explicar o que é isso que eu gostaria e entendo por que ainda tenho um blog. É que, ao colocar as coisas em palavras, eu as redimensiono. Elas perdem peso.

Vocês viram, eu substituí agorinha o nada por algo. E agora tento diferenciar esse algo do que é o meu desejo.

Começo a rir, pois a primeira palavra que eu quase escrevi para falar sobre aquilo que eu gostaria que acontecesse foi encontro. A segunda: kármico.

Hahaha. Eu, ateia convicta, querendo que o Universo me traga um amor nada menos do que perfeitinho. Isso non ecxiste. Miga, seje menas. Por favor, esvazie esses ideais, grita o Lacanzinho inside moi.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que esse texto só existe porque ontem eu conheci um menino com quem eu desci a Augusta, vislumbrei a Praça da Sé, já vazia, subi, com pressa, a Brigadeiro e, por fim, gritei Fora, Temer na Paulista.

Com quem eu tomei café e comi bolo e procurei sessões vazias de "Aquarius".

Existe porque esse menino olhou pra mim, na escada do Espaço Itaú, e me beijou - sem aviso, sem pedido, decidido. E porque foi bom.

Existe mais ainda porque ele me abraçou de um jeito que me protegeu. Eu não me lembro de quando senti isso pela penúltima vez.

Eu me lembro. Foi com o outro menino, o que disse que me amava em outro cinema, vendo outro filme.

Ele também tinha esse tipo de abraço.

Existe porque a gente se fala muito e toda hora. E porque, de repente, ele parou de falar. Justo no dia seguinte ao encontro.

Foi um dia inteiro de looping sobre o que é ficar com alguém e isso ser especial, mas, aparentemente, só para mim.

Comecei a escrever para dar vazão à minha angústia. Quando eu estava lá pelo meio deste texto, ele mandou um "oiê".

Vida, essa engraçada.

6.9.16

Aloka dos e-mails

Eu ainda volto pra explicar* o penúltimo post, porque dá a entender que análise só faz efeito na hora, quando você tá ali no consultório. E não é isso, imagina. Análise boa é aquela que reverbera.

O que eu tava tentando dizer é que fui pra análise, atrasada, e perdi a sessão. Basicamente, essa é a história da minha vida.

Mas saí de lá como se tivesse deitado no divã e falado. Chegando em casa, escrevi um e-mail pro meu analista, contando justamente do efeito da análise sem análise. Tô cheia de mandar e-mails, ultimamente.

Ele ainda não respondeu. Mas claro que vai ser uma resposta curta e, provavelmente, enigmática. Talvez decepcionante.

Falei no e-mail também que a gente vai se ver mais agora que eu tô indo pra USP pra começar o projeto do mestrado. Espero conseguir lidar com o fato de que ele agora também vai ser meu professor. Eu, mestrado, USP. Lidaremos? Chegaremos ao final? Quem viver, verá.

*Acabei de perceber que eu tava fazendo um teaser no começo do post, mas já voltei e já expliquei.

5.9.16

Oi, analista

Já viu análise fazer efeito sem você nem ver a cara do analista? Pois é. Minha vida hoje.