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O dia em que perdi meu primeiro namorado

Ainda não eram os anos 2000. Eu dançava naquela sala calorenta. Tudo tão abafado que a porta ficava aberta e você me olhava do lado de fora....

15.9.16

Cilada, cilada, cilada

2016, o ano em que eu aprendi que nem o abraço mais gostoso do mundo garante alguma coisa.

8.9.16

Desaprendi

Uma coisa que eu não sei mais é saber quando gostam de mim. Se não flutuo num doce mar de recalque, lembro de uma certa clareza quanto a ser desejada. Pelo menos na minha última história de amor, que era segura e quentinha.

Eu jamais precisei me preocupar com o segundo encontro, me angustiar com incertezas. Ele estava ali, ele me queria, eu o queria, ele disse que me amava cedo, enquanto víamos "A Fita Branca". E eu nunca duvidei.

A vida com ele era melhor, as conversas, os finais de semana. Como trocar tudo isso por qualquer outra coisa? Não dava. Não deu (por cinco anos).

Agora, eu vivo momentos incríveis - com outras pessoas - e isso não significa nada. Corrijo. Isso significa algo. Mas não o que eu gostaria que fosse.

Tento explicar o que é isso que eu gostaria e entendo por que ainda tenho um blog. É que, ao colocar as coisas em palavras, eu as redimensiono. Elas perdem peso.

Vocês viram, eu substituí agorinha o nada por algo. E agora tento diferenciar esse algo do que é o meu desejo.

Começo a rir, pois a primeira palavra que eu quase escrevi para falar sobre aquilo que eu gostaria que acontecesse foi encontro. A segunda: kármico.

Hahaha. Eu, ateia convicta, querendo que o Universo me traga um amor nada menos do que perfeitinho. Isso non ecxiste. Miga, seje menas. Por favor, esvazie esses ideais, grita o Lacanzinho inside moi.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que esse texto só existe porque ontem eu conheci um menino com quem eu desci a Augusta, vislumbrei a Praça da Sé, já vazia, subi, com pressa, a Brigadeiro e, por fim, gritei Fora, Temer na Paulista.

Com quem eu tomei café e comi bolo e procurei sessões vazias de "Aquarius".

Existe porque esse menino olhou pra mim, na escada do Espaço Itaú, e me beijou - sem aviso, sem pedido, decidido. E porque foi bom.

Existe mais ainda porque ele me abraçou de um jeito que me protegeu. Eu não me lembro de quando senti isso pela penúltima vez.

Eu me lembro. Foi com o outro menino, o que disse que me amava em outro cinema, vendo outro filme.

Ele também tinha esse tipo de abraço.

Existe porque a gente se fala muito e toda hora. E porque, de repente, ele parou de falar. Justo no dia seguinte ao encontro.

Foi um dia inteiro de looping sobre o que é ficar com alguém e isso ser especial, mas, aparentemente, só para mim.

Comecei a escrever para dar vazão à minha angústia. Quando eu estava lá pelo meio deste texto, ele mandou um "oiê".

Vida, essa engraçada.

6.9.16

Aloka dos e-mails

Eu ainda volto pra explicar* o penúltimo post, porque dá a entender que análise só faz efeito na hora, quando você tá ali no consultório. E não é isso, imagina. Análise boa é aquela que reverbera.

O que eu tava tentando dizer é que fui pra análise, atrasada, e perdi a sessão. Basicamente, essa é a história da minha vida.

Mas saí de lá como se tivesse deitado no divã e falado. Chegando em casa, escrevi um e-mail pro meu analista, contando justamente do efeito da análise sem análise. Tô cheia de mandar e-mails, ultimamente.

Ele ainda não respondeu. Mas claro que vai ser uma resposta curta e, provavelmente, enigmática. Talvez decepcionante.

Falei no e-mail também que a gente vai se ver mais agora que eu tô indo pra USP pra começar o projeto do mestrado. Espero conseguir lidar com o fato de que ele agora também vai ser meu professor. Eu, mestrado, USP. Lidaremos? Chegaremos ao final? Quem viver, verá.

*Acabei de perceber que eu tava fazendo um teaser no começo do post, mas já voltei e já expliquei.

5.9.16

Oi, analista

Já viu análise fazer efeito sem você nem ver a cara do analista? Pois é. Minha vida hoje.

3.9.16

Clebinho

Queria dar um intervalo nas coisas que eu sinto contando um episódio divertido e meio horrível que aconteceu nesta semana. Na segunda, fui parar num boteco da Augusta com um cara que eu conheci em 2009 e que reapareceu via Facebook com um dos melhores xavecos de todos os tempos - nunca no mesmo nível do melhor xaveco que eu levei na vida, de uma menina (AKA "you are too cute to be straight", assim mesmo, em inglês). Sentamos do lado de fora, e acontece toda hora de alguém pedir dinheiro, bebida, comida ou tentar vender toda sorte de coisas. Veio o Clebinho vender brigadeiros - com uma abordagem deveras incomum. Perguntou: ela é seu crush? Eu fiquei de todas as cores, e ele, sem um pingo de vergonha, falou que eu era, sim. Eita. Clebinho, o Cruel, aproveitou a deixa e perguntou se a gente não ia se beijar. Eu tentei articular uma explicação. Clebinho foi dizendo que onde já se viu demorar assim, que absurdo etc. e tal. "Vamos dar pelo menos um selinho", ele falou. Não me lembro de ter me sentido tão constrangida na vida quanto naquela hora. Tentei desviar o assunto, mas o menino começou a concordar com o vendedor ambulante alcoviteiro. Tudo bem que ele, o boy, tem seu charme, mas eu não tava preparada, eu preciso de tempo. Não é assim, já vai beijando. Quando eu vi, eu tava dando um selinho no rapaz, na frente do Clebinho, que, a essa altura, já tava sentado na mesa com a gente. O menino comprou os brigadeiros. Clebinho se foi. O menino sentou ao meu lado, querendo dar um upgrade na coisa toda. Eu buguei. Acabei não conseguindo fugir da situação e fiquei sem graça pela eternidade daquela noite. Eu só queria saber quando foi que eu virei essa pessoa bizarra. Jesus, me acode.

Clebinho

Queria dar um intervalo nas coisas que eu sinto contando um episódio divertido e meio horrível que aconteceu nesta semana. Na segunda, fui parar num boteco da Augusta com um cara que eu conheci em 2009 e que reapareceu via Facebook com um dos melhores xavecos de todos os tempos - nunca no mesmo nível do melhor xaveco que eu levei na vida, de uma menina (AKA "you are too cute to be straight", assim mesmo, em inglês). Sentamos do lado de fora, e acontece toda hora de alguém pedir dinheiro, bebida, comida ou tentar vender toda sorte de coisas. Veio o Clebinho vender brigadeiros - com uma abordagem deveras incomum. Perguntou: ela é seu crush? Eu fiquei de todas as cores, e ele, sem um pingo de vergonha, falou que eu era, sim. Eita. Clebinho, o Cruel, aproveitou a deixa e perguntou se a gente não ia se beijar. Eu tentei articular uma explicação. Clebinho foi dizendo que onde já se viu demorar assim, que absurdo etc. e tal. "Vamos dar pelo menos um selinho", ele falou. Não me lembro de ter me sentido tão constrangida na vida quanto naquela hora. Tentei desviar o assunto, mas o menino começou a concordar com o vendedor ambulante alcoviteiro. Tudo bem que ele, o boy, tem seu charme, mas eu não tava preparada, eu preciso de tempo. Não é assim, já vai beijando. Quando eu vi, eu tava dando um selinho no rapaz, na frente do Clebinho, que, a essa altura, já tava sentado na mesa com a gente. O menino comprou os brigadeiros. Clebinho se foi. O menino sentou ao meu lado, querendo dar um upgrade na coisa toda. Eu buguei. Acabei não conseguindo fugir da situação e fiquei sem graça pela eternidade daquela noite. Eu só queria saber quando foi que eu virei essa pessoa bizarra. Jesus, me acode,

31.8.16

Sushi, chá-bar

Eu me lembro tão claramente de a gente saber das notícias e você ter certeza de que se desenhava um golpe. Isso foi nos primeiros protestos, aqueles que começaram com os 20 centavos. Eu, incrédula, embarcava nos planos de mudar país, mais porque tínhamos uma vida juntos e precisávamos pensar no que fazer dela caso o impossível acontecesse. Pensamos no Canadá, mais brincando do que qualquer outra coisa. Não tem mais nós e teve golpe. O impensável aconteceu. Não existem palavras que deem conta. Quem será o novo Vandré? Quem vai nos dar o que cantar já que a fala anda embargada?

28.8.16

Só sei dançar com... você?

Tem fase que é tão cagada, mas tão cagada, que chega mensagem de um cara gatinho no WPP, e é engano. Quem faz isso? Pelo menos, descobri ontem que o crush misterioso da dança tem uma completa falta de traquejo social, de modo que: voltamos ao jogo (aparentemente, ele não sacou as segundas intenções). Encantos à parte (e lá se vão praticamente seis meses de uau), gosto muito de dançar com ele. É que eu não confio muito, em geral. Então, quando algum moço quer ousar no passo, leia-se: me girar e depois me deixar perto do chão, sustentada apenas pelo braço dele, eu faço a robótica e não cedo. Vai que o rapaz me derruba? Mas com o crush misterioso é diferente. Ele já sacou que eu tenho medo e me pega de surpresa, tão rápido que quando eu vejo, já estou a centímetros da pista. Volto morrendo de rir e jurando vingança. Sempre um prazer, caro crush.

P.S.: meu modo de lidar com a dança: um belo resumo do meu modo de lidar com os sentimentos, ultimamente. Fazendo a robótica pra evitar o improviso, tudo porque: medo - temos muito. Até que apareça alguém mais rápido do que eu e me deixe no chão antes mesmo de eu conseguir balbuciar qualquer desculpa.